Residência artística

A Arena Carioca Carlos Roberto de Oliveira - Dicró é a única da cidade que há três anos possui em sua programação regular uma residência artística em teatro, projeto contemplado pelo Edital de Fomento da Secretaria Municipal de Cultura.

A residência é a concretização de uma parceria do Observatório de Favelas do Rio de Janeiro com o Grupo Teatro da Laje. O Grupo Teatro da Laje nasceu na favela da Vila Cruzeiro, localizada no bairro carioca da Penha, em janeiro de 2003 como desdobramento e ampliação das ações desenvolvidas nas aulas de Artes Cênicas de uma escola pública localizada na comunidade pelo seu fundador e diretor, Veríssimo Junior. O nome do grupo resgata o início de sua trajetória, quando as lajes das casas da favela serviam de locais de ensaio e celebra este espaço que é uma verdadeira instituição cultural das favelas cariocas.

No repertório da residência estão os espetáculos “Bonobando na Dicró” e “Cidade Correria”, ambos realizados juntamente com o Coletivo Bonobando – Bando de Artistas Anônimos, que surgiu em 2014 no bojo das experiências da própria residência.

Graças ao processo de incubação proporcionado pela residência artística, desde 2014, o Grupo Teatro da Laje vem tendo condições de se reciclar, aprimorar seus recursos expressivos, ampliar seu repertório e definir a natureza e peculiaridade de seu projeto artístico: a contribuição singular e original que tem a dar para a ecologia cultural da cidade - um fazer teatral referenciado no território de fala, sede pública, intimamente vinculado ao cotidiano.

O desafio é a consolidação de um processo de residência artística, que esteja completamente territorializado, que legitime a criação teatral a partir do território popular carioca e suas particularidades, mas que fale para toda cidade, que intervenha no conjunto da experiência da vida urbana.

A FUNARTE chancelou 191 residências artísticas em novembro de 2014. Diante dos dados da pesquisa, somos exceção em termos de política contínua de investimento público nesse tipo de experiência, no que se refere à duração e apoio financeiro aos artistas. “A ideia fundamental é que um artista disponha de um espaço, de um tempo diferente do que ele habitualmente tem para se dedicar a sua atividade. É como desloca-lo no tempo e espaço.” (MORAES, 2009). A partir desta formulação, que é base dos trabalhos que a FUNARTE tem desenvolvido, operamos em nossa residência um processo que propicia que jovens atores (todos de periferia) se dediquem à formação e componham coletivamente novas narrativas para seus territórios e para cidade.

Direção Geral - Verissimo Junior
Coordenação – Isabela Souza
Produção – Marina Lima
Administrativo/Financeiro - André
Assistência de direção – Hugo Bernardo
Elenco: Daniela Joyce, Igor da Silva, Járdila Baptista e Vanessa Rocha

Para maiores informações: marina@observatoriodefavelas.org.br