Memórias da Dicró – Heloisa Seixas

heloisa seixas

Olá! Que esse texto lhes encontrem bem!

Continuamos movimentando nosso blog com a série Memórias da Dicró. E hoje quem passa por aqui é Heloisa Seixas, escritora e tradutora que já trabalhou como jornalista no Jornal O Globo, na agência de notícias UPI e depois na assessoria de imprensa da ONU. Seu primeiro livro, Pente de Vênus (contos), publicado em 1995, foi finalista do Prêmio Jabuti. De lá para cá, escreveu mais de vinte livros, e foi outras três vezes finalista do Jabuti: com os romances A portaPérolas absolutas, O oitavo selo (este último, também finalista do Prêmio São Paulo e semifinalista do Oceanos).

Helô, como gostamos de chamar, veio até nós na ocasião de sua peça de teatro e de lá pra cá muita coisa aconteceu. Ela nos ajudou a dar corpo ao Clube Augusto Boal de Leitura e Escrita e foi com a gente por dois anos em uma escola municipal conversar com alunas e alunos da rede pública sobre contos de terror. Também criamos uma linda parceria com uma clínica da família onde foram realizadas atividades de leitura, escrita e dança com idosas e idosos, pensando em Carmem Miranda.  Por conta de toda essa história de amor, colocamos o nome dela na nossa biblioteca, que é também um ponto de trocas de livros. 

Confira abaixo o texto de Heloísa Seixas sobre toda essa história com a gente!

Do escuro para a luz 

Foi em 2014 – quando minha peça de teatro O lugar escuro circulava pelas arenas e lonas culturais do Rio – que eu conheci a Arena Dicró, na Penha. No dia da apresentação da nossa peça, enquanto o elenco se preparava para entrar em cena, observei tudo à minha volta e achei o lugar incrível. O capricho nos detalhes – as luminárias feitas com raladores na cantina, os panos de chita florida, tudo me chamou a atenção. Mas foi principalmente a garra e o entusiasmo das pessoas trabalhando que eu notei mais. 

Numa cidade que, já naquela época, sofria com tanto descaso e tanta violência (nem imaginávamos o quanto iria piorar), era bonito ver tanto amor à arte, à cultura, à educação. Saí de lá tão encantada que, dias depois, escrevi um texto para o jornal, cujo título era: Pontos de luz. Porque é isso: a Arena brilha com o entusiasmo de seus jovens gestores, cujos olhos brilham também. 

E, por causa do texto que escrevi, nossos laços se estreitaram – e viraram mesmo um caso de amor. Juntos, desenvolvemos muitos projetos, envolvendo jovens e idosos, literatura e música, tudo feito com enorme encanto. Espero que meus queridos amigos da Arena não desistam nunca. Que seus olhos continuem brilhando no entusiasmo de fazer e distribuir cultura – para que esses pontos de luz, tão raros, tão necessários, não se apaguem nunca.

 

Post por Nyl de Sousa

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