Memórias da Dicró – Ana Paula Gualberto

Ana

Olá gente! Que esse texto lhes encontrem bem.

Dando sequência a nossa série de textos contando a história da Arena Dicró, a partir de quem faz o espaço pulsar, confira o relato da Ana Paula Gualberto. Ana é produtora executiva da Arena Dicró e do LH2 – Leopoldina Hip Hop.

Confira abaixo e ótima leitura:

 

LAB Dicró edição Rap e o compromisso da Arena Dicró com os projetos de residência artística

As dinâmicas de atuação e trabalho adotadas pela Arena Carioca Carlos Roberto de Oliveira Dicró a partir de 2017 foram fundamentais para a construção ideológica de um espaço de cultura que reflete sobre a democratização não apenas a partir do acesso, mas também do desenvolvimento coletivo de ações culturais. O eixo de participação ampliada é uma dentre outras ações, que possibilitou a participação dos realizadores do território na proposição de atividades do espaço ao mesmo tempo em que incentivou os próprios membros da equipe de trabalho a desenvolverem projetos com essa perspectiva.

Nesse contexto nasce O Leopoldina Hip Hop (LH2) na Arena Dicró, idealizado por membros da equipe envolvidos diretamente com o movimento Hip Hop e compartilhando do mesmo olhar sobre a importância do diálogo com o território, aproximando as ações culturais relacionadas, e entendendo a parceria como parte de um processo formativo.

A descontinuidade do fomento cultural carioca ocorrida em 2017 fez com que a coordenação da Arena Dicró buscasse alternativas que contemplassem não só a fruição, mas também a ocupação do espaço e proposição de atividades pelos atores do território. Nessa perspectiva foi criado o eixo de residências artísticas, que atualmente é o cartão de visitas da Arena Dicró.

Os projetos de residência vigentes possuem diversos formatos. Desde residências curtas de três dias a residências contínuas com contrapartidas de espetáculos de dança e música. E neste misto de projetos que estimulam o desenvolvimento de iniciativas artísticas das periferias, nasce o LAB Dicró, que ultrapassa a dinâmica de residência artística. Trata-se de um processo formativo que conta com workshops e pitchings, além é claro dos ensaios e apresentações ao público.

A primeira edição do LAB Dicró aconteceu no segundo semestre de 2017, onde foram selecionados projetos de diferentes linguagens artísticas. A experimentação foi fundamental para entendermos que com um recorte específico, a ação formativa poderia ser mais efetiva. Com isso, já em 2018 é realizado o LAB Dicró de música, contemplando quatro projetos que estiveram ao longo de um mês realizando ensaios, oficinas, gravação de material audiovisual e recebendo consultoria.

É fato que o comprometimento da equipe da Arena Dicró com o processo de formação de artistas da periferia foi inspirador para a dinâmica de realização do LH2. Abrir espaço para novos artistas da cultura hip hop em geral, que começam a entender os diversos processos de desenvolvimento de suas carreiras, ao mesmo tempo que traz nomes da “velha escola” para dialogarem e trocarem experiências com esses jovens talentos foi, desde sempre, um compromisso da equipe realizadora do LH2, equipe esta formada por dois produtores culturais, dois Mcs e um dj. Ao longo de sete edições realizadas, mais de 30 artistas estiveram se apresentando no projeto, artistas visuais (grafiteiros), MC’s, DJ’s, coletivos artísticos e rodas culturais. O festival também contou com apresentações de grandes nomes do rap nacional, como MV Bill, Nega Gizza e Matéria Prima.

Ao longo dos dois anos de realização do Leopoldina Hip Hop, algumas vezes pudemos perceber a necessidade de uma continuidade no processo de formação e de troca com os artistas participantes de cada edição do projeto, mas o formato de festival e a função de difundir cada vez mais artistas dificultava essa concretização. A possibilidade de, através do LAB Dicró, fazer com que a passagem pelo LH2 seja uma formação artística para MCs, DJs, beatmakers e coletivos, traz para os realizadores do projeto uma grande honra, mas também uma grande responsabilidade de desmistificar a visão de que o Hip Hop é uma cultura marginal. O desafio na verdade é muito maior na quebra de estigmas e preconceitos do que na formação desses artistas, que de fato só precisam de iniciativas como o nosso forninho para darem grandes passos em suas trajetórias.

A realização do LAB Dicró em parceria com o Leopoldina Hip Hop e com consultoria da Mondé Musical é mais uma comprovação do compromisso da Arena Dicró em protagonizar a arte da favela, do subúrbio e da periferia. A Arena Dicró é um palco que fica no coração da Zona Norte, e nada mais justo que este palco seja ocupado pelos crias da Zona Norte.

Postagem por Nyl de Sousa

 

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