Suave e a antropofagia

Espetáculo criado no subúrbio carioca deixa plateias em pé por onde passa

 

O projeto Entrando na Dança do Festival Panorama, em sua 4º edição, convidou três coreógrafos para criarem, em parceria com jovens moradores dos entornos das Arenas Cariocas, espetáculos de dança que dialogassem com as linguagens do subúrbio. Alice Ripoll, na Arena Dicró, Renato Cruz, na Arena Jovelina Pérola Negra e Sonia Destri, na Arena Fernando Torres, todos com formação em dança contemporânea, realizaram audições com mais de 100 jovens da periferia do Rio. Destes, 30 foram selecionados e criaram, juntos com os coreógrafos, exibições em três estilos primos: Passinho, Hip-Hop e Charme. Na Arena Dicró, partir do projeto, nasce o espetáculo “Suave”.

 

Dirigido e coreografado por Alice Ripoll, com ênfase em funk e passinho, mas com influência da dança contemporânea, do teatro e do circo. Dez jovens da região da Leopoldina, hoje, já não apenas sonham em ser dançarinos, mas tem uma rotina de viagens, cuidados com o corpo e horários de ensaio de bailarinos profissionais. “A carreira de artista já é difícil se você está inserido em um contexto mais burguês, imagina pra quem é funkeiro e morador de periferia?”– questiona Alice Ripoll.

 

Dança no subúrbio, salvo raros casos, é apenas brincadeira. Jovens que dançavam pelas ruas ao som do funk na Penha, Madureira e na Pavuna, não acreditariam que era possível ganhar a vida com aquela forma de diversão. Não se tem muitas academias ou escolas de dança na periferia e muito menos essa é uma matéria lecionada nas escolas públicas de ensino fundamental e médio. Raros também são os teatros e palcos fora do eixo centro-zona sul, mais raras ainda as que apresentam espetáculos de passinho, charme e hip-hop, linguagens de dança que vemos nos bailes, bares, casas, esquinas, favelas e viadutos cariocas.

 

Tanto as Arenas quanto o projeto Entrando na Dança tem como objetivo principal a formação de público, ou melhor, o fomento às atrações artísticas no subúrbio e para o subúrbio. Não se trata apenas de se distanciar dos centros familiarizados com esse tipo de atrações e investimentos, mas de fortalecer e ampliar o contato da população desses territórios com a arte. Assim como contribuir para que possam se enxergar também protagonistas da cena cultural carioca.

 

É isso! É original sim! E é original não porque inventa alguma coisa que nunca foi feita, mas por que pega tudo que já foi feito e faz diferente. As referências são de Beyoncé ao balé de Bolshoi, de Moulin Rouge ao Bonde das Maravilhas, do Cirque du Soleil ao carnaval carioca.

 

Isso nos mostra como a semana de arte moderna de 22, Caetano Veloso e Oswald de Andrade com suas ideias antropofágicas, suas misturas tropicalientes ainda se fazem referência, ainda que nem ao menos sejam mencionados. É a mistura de referências clássicas com a cultura popular que naturalmente brota nas calçadas, nos morros, nas praças da cidade.
Mesclar talentos já reconhecidos como Alice Ripoll e estes dez bailarinos fortalece e potencializa a produção cultural do subúrbio carioca, ambiente de estéticas e linguagens únicas: berço do samba de Pixinguinha, do Teatro da Laje e agora do passinho do espetáculo Suave, do grupo que ainda não tem nome, mas já tem a energia e vitalidade que nos impede de ficar sentados quando os aplaudimos ao fim de uma apresentação. Como diria um de nossos funks famosos, “é som de preto, de favelado E quando toca, ninguém fica parado”.

misturas tropicalientes ainda se fazem referência, ainda que nem ao menos sejam mencionados. É a mistura de referências clássicas com a cultura popular que naturalmente brota nas calçadas, nos morros, nas praças da cidade.
Mesclar talentos já reconhecidos como Alice Ripoll e estes dez bailarinos fortalece e potencializa a produção cultural do subúrbio carioca, ambiente de estéticas e linguagens únicas: berço do samba de Pixinguinha, do Teatro da Laje e agora do passinho do espetáculo Suave, do grupo que ainda não tem nome, mas já tem a energia e vitalidade que nos impede de ficar sentados quando os aplaudimos ao fim de uma apresentação. Como diria um de nossos funks famosos, “é som de preto, de favelado E quando toca, ninguém fica parado”.

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