Bicuda FM e Arena Dicró: nas ondas da cultura e da informação

IMG_20140921_120002

por Bruna Rodrigues

“A rádio que toca cultura”. É essa a chamada que se repete durante toda a programação da rádio comunitária Bicuda FM. Nada mais ideal para descrever o conteúdo encontrado por quem aprecia suas ondas sonoras. Quem sintoniza na 98,7 escuta música popular brasileira, notícias de utilidade pública e informações sobre atrações culturais em toda região.
Fundada em 1996, na Vila da Penha, a rádio tinha como objetivo lutar pela preservação da Serra da Misericórdia e para a democratização da comunicação. No entanto, em 2002, ela foi fechada devido ao arquivamento do processo de reconhecimento legal, conquistado em 2008. Somente em abril de 2009 o veículo voltou a operar, dessa vez em Vaz Lobo.
Com uma história próxima aos movimentos sociais e em torno de questões de relevância para o contexto da Penha e adjacências, a Bicuda Fm pode ser considerada uma rádio essencialmente coletiva. Para o radialista e um de seus fundadores, Carlos Osório, a principal característica da rádio é a participação popular:
– Nós falamos da comunidade para a comunidade e estamos sempre com os microfones abertos. Vários moradores fazem programas aqui, além disso, somos um veículo de expressão para os artistas locais.
Para o radialista, o veículo também é importante para atuação em acontecimentos políticos e intervenções concretas na vida das pessoas. Uma das causas militadas pela rádio, por exemplo, foi o impedimento da destruição do Cinema de Vaz Lobo para a construção da Transcarioca:
– Nós organizamos um debate na Escola Carmela Dutra, ajudamos a divulgar abaixo- assinados e conseguimos, em conjunto com a população, que o cinema não fosse demolido. Agora lutamos para que o espaço torne-se um grande centro cultural, o que sempre foi o objetivo.
Outro aspecto da Bicuda é a ausência de conteúdo religioso e a busca por um jornalismo político sempre informativo, que evita privilegiar personalidades e partidos. Segundo Osório, essa postura atende à legislação e ao perfil de uma rádio comunitária.
Para que todos tenham voz e vez
A Rádio Bicuda é um dos veículos que colaboraram para a criação da Lei de Rádios Comunitárias (n°1612/98). Seu próprio histórico de aberturas e fechamentos revela a militância em busca de uma comunicação democrática. Foram 15 anos de processos até o reconhecimento legal.
No Brasil, a legislação em vigor oferece às rádios populares, por exemplo, o espaço de 25 watts, limitando o alcance para, no máximo 1 km. Enquanto, algumas rádios comerciais podem ser ouvidas em até 30 cidades.
Atualmente, várias associações lutam pelo fim da descriminalização de rádios comunitárias, além do aumento no número de watts. A proposta é baseada na Constituição, que garante o direito de livre expressão.
Uma opção muito utilizada para atingir mais ouvintes em todo país é a internet. A Bicuda pode ser ouvida pelo endereço: bicuda.org .

Uma parceria que informa cultura
Todas as quintas e sextas, às 10h45, a Arena Carioca Dicró informa suas atividades durante a programação da rádio Bicuda Fm. Para Silvana Bahia, jornalista do Observatório de Favelas, parcerias como essa atendem a multiplicidade dos territórios populares, onde o acesso à notícia se dá de variadas maneiras:
-A parceria com essa rádio é um caminho potente para a construção de uma rede local de troca e divulgação da produção cultural da Penha e das áreas próximas. Além disso, fortalecer a comunicação alternativa e/ou popular é central para um novo projeto de cidade, pois possibilita o acesso a outras imagens da realidade e um meio em que todos possam se expressar.
Segundo o jornalista da rádio Bicuda, Carlos Osório, as informações sobre a Arena oferecem ao ouvinte um espaço que divulga eventos gratuitos e baratos, uma forma favorável de acesso para a população. Ele também destaca que a cultura é uma das principais bandeiras da rádio.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *